O humorista Gustavo Mendes, na última sexta-feira (30), passou uma situação inusitada durante seu show de stand up. O humorista, que ficou conhecido após suas imitações de Dilma Roussef, e que também já apareceu ao lado da ex-presidente apoiando-a, foi tentar fazer chacota com Bolsonaro. No entanto, a platéia não gostou e boa parte do público presente deixou o show.

No dia seguinte ao ocorrido, neste sábado (31), o humorista deu as caras nas redes sociais, e através de um vídeo gravado, deu sua opinião do que aconteceu.

“Parte da platéia insatisfeita com minhas piadas feitas com o presidente Bolsonaro, se sentiu no direito de dizer o que eu posso ou não posso dizer nos meus shows. Deixa eu te contar uma coisa, isso nunca vai acontecer. O nome disso é censura. E eu não vou aceitar essa tentativa de intimidação.” disse o humorista

Ele prosseguiu, e disse que o motivo das pessoas não terem aprovado sua postura, não foi porque ele criticou o presidente Bolsonaro, e sim por ele ser ‘Gustavo Mendes’ [referindo-se a saberem que ele é de esquerda].

“O problema daquelas pessoas não eram as piadas politicas, porque eu sou Gustavo Mendes. A minha trajetória, a minha carreira, foi sempre de assumir posições com força e transparência, mesmo sabendo que isso incomodava muita gente. Você pode me acusar de tudo, menos de incoerência.”

Após falar sobre sua opinião sobre o que aconteceu, Mendes falou à respeito do que acha que está acontecendo atualmente no Brasil, por consequência do novo governo.

“Não vou me calar diante do que está acontecendo hoje no Brasil. Os milhões de desempregados sem ver nenhuma medida que os dê esperança. A nossa maior riqueza, a Amazônia, sendo devastada, e um governo que incentiva o desmatamento. A promessa de acabar com a corrupção, e um governo que tem seus corruptos de estimação. Milhões de pessoas passando fome, e um governo que nega a existência da miséria. Quem não está cumprindo o que prometeu não sou eu não. Onde está o Brasil melhor que foi prometido?” indagou o humorista

Gustavo finaliza o vídeo afirmando que “possui a consciência tranquila por estar do lado certo da história”.

Veja o vídeo:

É possível que você já tenha sabido o que aconteceu durante o meu show em Teófilo Otoni.Parte da plateia, insatisfeita com as piadas sobre Bolsonaro se sentiu no direito de dizer o que eu posso ou não posso falar nos meus shows. E Isso nunca, amiguinhos, nunca vai acontecer, porque isso se chama censura e eu não vou aceitar essa tentativa de intimidação. Principalmente vindo de pessoas que se articularam para isso.O problema daquelas pessoas não eram as piadas políticas.Ora, eu sou Gustavo Mendes. Minha trajetória sempre foi de assumir posições com força e transparência, mesmo sabendo que isso incomodava muita gente. O Humor é sempre OPOSIÇÃO.Esse é o papel do artista e principalmente o do comediante: incomodar os poderosos.Onde estavam essas pessoas quando eu debochava da Dilma? Debochava do Temer?Eu amo meu público, mesmo aqueles que votaram no Bolsonaro, mas não vou me calar diante do que está acontecendo hoje no Brasil: os milhões de desempregados continuam sem ver nenhuma medida que lhes dê esperança; nossa maior riqueza – a Amazônia – sendo devastada e um governo que incentiva o desmatamento; a promessa de acabar com a corrupção e um governo que tem seus corruptos de estimação; milhões passando fome e um governo que nega a existência da miséria. Quem não está cumprindo o que prometeu não sou eu. Onde está o Brasil melhor que foi prometido? Violência, corrupção, desemprego, nepotismo; tudo continua e piora porque o presidente está sempre mais ocupado em causar polêmica que governar.As pesquisas mostram que os que consideram seu governo ruim ou péssimo já são 40%. Amigos, não sou eu que invento esses números, nem sou eu que faz o povo deixar de gostar desse governo. O pior inimigo do Bolsonaro é ele mesmo. E os que apoiam os erros dele.Isso que aconteceu contra mim, infelizmente não é um privilégio meu. É uma nova onda de intimidação à liberdade de expressão: Roger Waters do Pink Floyd e Cateano foram vaiados; Miriam Leitão foi impedida de lançar seu livro numa Feira; Gleen – que denunciou a vaza jato – sofreu foguetaço em Parati; professores são filmados por alunos que se acham no direito de ser uma patrulha ideológica; e por aí vai.Você pode não gostar das minhas posições, mas não se deixe ceder à tentação do autoritarismo.Um Brasil melhor só vai ser construindo num ambiente de tolerância e respeito. Exterminar a ideia contrária só cria a falsa sensação de uma unanimidade burra.Nenhuma piada ou crítica pode justificar a censura à liberdade de expressão.Seguirei firme sendo o Gustavo Mendes que sempre fui. Sei que pago um preço por isso, mas ao mesmo tempo tenho um lucro imenso. Do amor sincero dos que admiram meu trabalho mesmo eventualmente discordando das minhas opiniões; e principalmente, da consciência tranquila de que estou do lado certo da história.Um beijo cheio de amor a todos.

Publiée par Gustavo Mendes sur Samedi 31 août 2019